sexta-feira, 5 de março de 2010

Os Valores Humanos e a Construção da Paz


“Não existe caminho para a paz, a paz é o caminho”.
Mahatma Gandhi
A paz é um valor universal, é também um anseio humano compartilhado por todas as raças, culturas, filosofias  e religiões do mundo. A construção de uma cultura de paz deriva, em ultima estância, da qualidade da nossa relação com nossa interioridade, e isso se reflete na maneira de nos relacionarmos com os demais, além de definir nossas escolhas na vida. 
Qual a importância de estar vivo, qual o seu significado, valor e objetivo?
     São perguntas que cedo ou tarde todos nós teremos que nos fazer. É importante perceber que a paz se enraíza numa dimensão sagrada do nosso ser. A paz  não encontra sustentação nos valores do individualismo liberal e separatista que norteiam nossa cultura. Os valores desumanos e egoístas fundamentam a violência e a exclusão, por isso causam infelicidade, medo, dominação e injustiça.
Então o que fazer para construir a paz?
Quais os valores que devem nortear uma cultura de paz?
     Para vivermos a paz e em paz é preciso ir além dos limites do imediatismo e da ética individualista que permeia a sociedade mundial. Esses valores egocêntricos  alicerçam uma visão destorcida  do mundo, das relações familiares, do trabalho, da sociedade, e da natureza. A paz é construída passo a passo, palavra a palavra,com gestos amorosos de mãos espalmadas e desarmadas diante da existência.
     É inegável que estamos sendo forçados a refletir sobre o fato de que nosso tempo é agora e que precisamos andar juntos com passos determinados em direção à paz. Esse é o caminho que nossas almas nos incentivam a trilhar se quisermos subsistir como espécie. Para isso temos que questionar nosso próprio comportamento, valores, prioridades e atitudes. Nossos conflitos internos geram conflitos externos; conforme vamos apaziguando nossos medos, raivas, mágoas e frustrações vamos pouco a pouco nos tornando agentes de paz. Trata-se de uma pratica cotidiana e constante que transforma confrontos em encontros e descortina novos horizontes corrigindo rotas e modos de pensar, sentir e agir.
     Paz não significa apenas ausência de guerras e conflitos entre nações, nem momentos de calmaria emocional individual. A paz é um estado de consciência, o patamar de onde partimos para libertarmos nossa mente aprisionada a si mesma pelos fios dos medos e dos desejos não realizados e ansiados.
     O alicerce da paz é o desapego dos condicionamentos familiares e culturais, também é importante saber por limites aos desejos. Para isso precisamos aprender a abrir mão, a oferecer o resultado das nossas ações a dinâmica da vida e nos livrarmos das amarras das expectativas.  À medida que conseguimos abrir mão de hábitos e conceitos arraigados permitimos que as transformações aconteçam, e de modo geral nossa percepção e nossas capacidades progridem.
     A paz começa em nós e conosco. Não bastam discursos e intenções de construir a paz, é preciso saber que a paz é um compromisso amoroso da alma individual com as outras almas. É preciso descobrir a importância de ser humano, unindo o homem natural ao homem intelectual e espiritual. 
     A Paz se constrói mediante a aceitação da pluralidade racial, cultural e religiosa para que possamos resgatar pelo coração o verdadeiro significado de liberdade, igualdade e fraternidade. Sem os valores humanos qualquer discurso sobre a paz torna-se um discurso vazio. Na construção da paz, os valores humanos e os direitos humanos caminham juntos. Os direitos humanos seriam naturalmente respeitados se vivêssemos os valores humanos no cotidiano, então seguramente a paz reinaria soberana.
     Todos nós somos escolhidos para essa tarefa embora muitos não aceitem a escolha e se recusem a participar da construção de uma cultura de paz. É preciso acreditar na nossa capacidade de sermos pacíficos e pacificadores. Um mundo melhor e um modo de vida mais condizente com as aspirações legítimas do nosso ser subjaz na nossa própria consciência e é nela que reside a solução. Estamos perplexos diante da complexidade do momento civilizatório, mas como dizia Martinho Lutero: “O homem nunca voa tão alto como quando não sabe para onde está indo”.
     É  preciso acreditar na nossa capacidade de sermos pacíficos e pacificadores. Podemos viver e promover a paz a partir do amor fraterno e criar uma inovadora maneira de ver as diferenças e oferecer ao mundo nossa peculiaridade como contribuição para o enriquecimento da unidade na diversidade.

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